Bravin: ótima carta de vinhos, ambiente retrô e comida de avó

A maneira delicada que são servidos os vinhos em taça; coquetel de camarão; torta de palmito com salada de rucula

Daniela Bravin é uma das sommelières mais talentosas do Brasil: isso não chega a ser novidade. O mercado ficou surpreso quando ela saiu do Ici Bistrô, 210 Diner e Tappo Tratoria para… abrir um restaurante. O comum é sommeliers saírem de um estabelecimento para outro ou virarem consultores em importadoras. Então, causou uma baita curiosidade: como seria a sua casa? A resposta: deliciosamente acolhedora, lindamente retrô, com uma ótima seleção de vinhos (e preços bons) e menu com comidas de vó.

Mini sanduíches de pernil, do cardápio do wine bar: dá vontade de comer dez

O Bravin fica na Rua Mato Grosso, em Higienópolis, num pequeno sobrado que foi transformado em um espaço bem aconchegante. Tudo ali tem o jeito da dona, nada é pasteurizado. A cozinha não abriga um chef estrela, mas uma brigada treinada. E dá vontade de morar no andar de baixo, onde funciona o wine bar e está instalada a a bonita adega. Ali, são servidos drinques, vinhos em taça (espumantes, R$ 17; brancos e rosés, R$ 19; tintos, R$ 21; com opções que mudam todos os dias) e garrafas e petiscos, como o viciante e suculento duo de mini- sanduíches de pernil (R$ 16).

Ossobuco com risoto alla milanese

No andar superior está o restaurante em si. Assim que decidir sua entrada, peça uma sugestão de vinho para Daniela- seja em taça ou garrafa. Aliás, os preços não são um surto: vão de R$ 69 a R$ 371 (garrafa, lógico). Não desperdice o talento dela pois sua refeição ficará muito melhor depois da dica, vai por mim. E Daniela não vai começar a proferir bizarrices como “este vinho tem notas de texugo úmido pelo orvalho das manhãs de outono no Congo” – ela entende mesmo sobre o que fala e, por isso, não precisa dessa bobajada me-admirem-eu-sou-demais.

Como entrada, pedimos algo divertidamente retrô (olha a palavra aqui de novo!), coquetel de camarão (R$ 25) e um quitute beeeeeem familiar, torta de palmito (R$ 17). O coquetel, de sabor agradável, com pedaços de camarão mergulhados no molho, tem um custo/benefício complicado; a torta, que para mim é feita com massa quebradiça de empada, estava correta mas poderia ter recheio mais temperado.

O belo e gostoso salão do wine bar do Bravin. Ao fundo, a adega

Já na quarta taça de vinho, escolhi o principal: bem feito e crocante milanesa de vitelo, acompanhado de docinho creme de milho e salada de escarola (R$ 48). Meu acompanhante ficou oscilando entre o estrogonofe de mignon com cogumelos frescos e batata palha (R$ 41), o filé ao molho madeira com arroz e batata portuguesa (R$ 46) e o ossobuco com risoto alla milanese (R$ 39). Foi no último. Carne caudalosa, encorpada, macia. Risoto de sabor correto porém levemente cozido além da conta.

Milanesa de vitelo, creme de milho e salada de escarola

Para terminar e equilibrar o teor alcoólico, doce. Eu me fartei na deliciosa goiabada da Prata com Queijo Serra da Canastra (R$ 16) e ele, chocólatra, optou pelo brigadeirão (isso é muito almoço em família!) com granulado de chocolate belga (R$ 18). Provamos também o gostoso pudim de claras com coco e baba de moça, que me ganhou por não ser excessicamente açucarado (R$ 15).

Sobremesas: brigadeirão com cerejas ao maraschino; pudim de claras com coco e baba de moça; deliciosa goiabada da Prata com queijo Serra da Canastra

Um jantar agradável.

Bravin: R. Mato Grosso, 154, Higienópolis, tel.: 2659-2525

As fotos deste post foram tiradas com uma Sony NEX-C3K 

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