Maremonti: nasceu uma das melhores pizzarias de São Paulo

Os pizzaiolos trabalhando

Pizza é tão sinônimo de São Paulo quanto praia é do Rio de Janeiro. Está na alma do paulistano– e em boas dobras na cintura, também. Eu cresci comendo pizza todo santo domingo. É uma das minhas mais recorrentes recordações gastronômicas de infância a delícia de pegar o pedaço com as mãos e deixar o queijo grudar no pulso (também dispenso talheres para comer manga). Este final de semana fiquei quase tão feliz quanto naquela época — poxa, nada substitui os seis anos de idade! — ao provar as pizzas da nova Maremonti. Mas desta vez, devido ao ambiente e para não envergonhar meus amigos, usei talheres.

Minha predileta: alcachofra com ricota e pecorino

O empreendimento, filial da tradicional Maremonti da Riviera de São Lourenço,  é fruto da sociedade do restaurateur Juscelino Pereira (Piselli, Tre Bicchieri, Zena), Ricardo Trevisani (Gaiana, Maremonti Riviera e Tre Bicchieri) e do chef do Tre Bicchieri, Rodrigo Queiroz, responsável também pela cozinha da nova casa, instalada na esquina na qual, por muitos anos, funcionou a finada La Risotteria Alessandro Segato. Completamente reformado, o imóvel trocou a aura pesada e escura do restaurante anterior por um salão aberto dividido em dois andares, decorado com muitas plantas e madeira. Informal, elegante, agradável– e já completamente lotado, em sua maioria, pela clientela dos outros restaurantes dos sócios. O serviço, nas duas vezes em que estive lá, foi atencioso mesmo com todas as mesas tomadas por clientes famintos. Mas o que mais me impressionou foi a grande qualidade de todos os ingredientes empregados– e o resultado impecável.

Pizza com massa tradicional napolitana com stracchino, ovo e trufas

No primeiro jantar, comecei com o Filoncino, uma espécia de wrap feito com a massa de pizza da casa, recheada com mussarela e linguiça diavoletti (R$ 38). A massa é uma coisa séria: feita com farinha italiana Caputo, é muito leve e, nesta preparação, fica com exterior quebradiço e crocante que, quando cortado, revela uma bela quantidade de queijo derretido misturado ao embutido picante. Delicioso e  grande, então cuidado para não acabar com a festa antes dela começar.

Filoncino: massa da pizza napolitana recheda com mozzarella e linguiça diavoletti

Depois de ficar uns vinte minutos analisando os 32 sabores de pizza, terminei em um tradiça e outro com ingredientes que amo: meia margherita especial (molho de tomate, mussarela de búfala e manjericão) e meia Amabile (molho de tomate, coração de alcachofra, ótima e macia ricota fresca e pecorino), que já se tornou a minha predielta. Ficou R$ 55, a grande, e eu comi cada centímetro da minha metade. Massa média, lindamente torradinha nas bordas e macia por dentro, daquelas que eu pego e como o que sobrou no prato com azeite. Molho suave e adocicado, de acidez ideal. Queijos sensacionais.

Há também pratos no menu, como a Lasanha de verdura (R$ 39 e o bucatini com braciola (R$ 41) mas, honestamente, deixe isso para o Piselli ou para o Tre Bicchieri…

O grande e acolhedor salão da Maremonti

Mas vi no cardápio que havia quatro tipo de pizzas individuais feitas de acordo com a receita original, e com o selo, da Associazone Pizzaiuoli Napoletani. Ah, tá bom que não iria provar! Então decidi voltar no dia seguinta porque, naquele, não havia nenhuma possibilidade nem de beber água.

Parma com focaccia com flor de sal e alecrim

No segundo dia, comecei com uma ótima seleção de salumeria da casa: presunto di parma, presunto cotto, mortadela de Bologna, salame Imperial espanhol, salame nacional (R$ 43) acompanhada de focaccia com alecrim, flor de sal e azeite (R$ 29).

Salumeria da casa: mortadela e presunto italianos, presunto parma, salames espanhóis

Com o estômago devidamente forrado, fui checar as opções da tal Associazone pizzaiuoli napoletani: marguerita (R$ 43), Marinara ( molho de tomate, alho e azeite, R$ 40), Acciughe (molho de tomate, aliche e orégano, R$ 45) e Occhio di Bue (stracchino, ovo estrelado e trufas negras, R$ 52). Ovo. OVO. Puts, se tem ovo, eu peço. Pedi. Resumo: peça e gema. Com e sem trocadilho. E chuche a borda na gema mole. E gema mais um pouco. A massa é feita sem azeite, fermentada de maneira distinta, e consegue ser ainda mais leve que a tradicional.

Meia calabresa curada, cebola e azeitonas pretas; meia stracchino e porcini

Entre as sobremesas que provei, a única que curti foi a Torta de maçã assada no forno a lenha com sorvete de creme, que tem preço duro de engolir: R$ 21.

Gostosa torta de maçã caramelada preparada no forno

Maremonti Jardins: Rua Padre João Manuel, 1160, Jardim Paulista, São Paulo, tel.: 3085-1160

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