Amma: chocolate 100% brasileiro que dá de dez em muito ‘belga’, ‘francês’…

AMMA 100% cacau: escandalosamente bom, intenso, cítrico…

O Brasil – ao lado de Costa do Marfim, Indonésia, Equador, Togo e México -, é um dos maiores produtores de cacau do mundo. Apesar disso, consumimos chocolates de baixa qualidade, repletos de gordura, açúcar e com muito pouco cacau (e de qualidade duvidosa), a principal matéria-prima e com diversos benefícios para a saúde, amplamente comprovados por estudos científicos.

Daí os belgas e franceses compram as melhores frutas, misturam com outras mais ou menos para diluir o custo, transformam em bombons bonitinhos, exportam pro mundo e viram experts no assunto… Pra piorar, existem grandes multinacionais do setor que usam, na África, trabalho infantil escravo – sim, é verdade – na colheita do cacau, como pode ser visto NESTE documentário.

Degustação de chocolates AMMA: da esq. para a dir., de cima para baixo, 30% cacau, 45%, 50%, 60%, 75%, 85% e 100%

A boa notícia é que o mesmo processo de qualificação que aconteceu como café – do qual também somos um dos maiores produtores mundiais mas só recentemente começamos a investir pesado em pesquisa e qualidade do grão para consumo interno- começa a rolar com o cacau. E não seria exagero afirmar que Diego Badaró, quinta geração de cacauicultores da Bahia, é um dos grandes responsáveis pelo arranque de qualidade do chocolate nacional: sua marca, a AMMA, começa a ser reconhecida no exterior como uma das melhores e mais interessantes do planeta, passou a integrar o livro Chocolate Unwrapped – taste and enjoy the world’s finest chocolate, de Sarah Jane Evans, publicação que lista os melhores chocolates premium do mundo, e é uma das cinco ou seis do planeta que detém desde o plantio da fruta até a venda e distribuição das barras.

A linha AMMA

A alta qualidade dos produtos AMMA começa no cuidado com o plantio, passa pelo delicado manuseio da fruta e termina no fato de compartilhar quase 50% dos lucros com os trabalhadores e ter a produção inteira calcada na sustentabilidade, com painéis solares para geração de energia elétrica até plantação de árvores que irão fornecer o papel para as embalagens dos produtos.

TODA a produção de Diego Badaró vem de fazendas próprias e é 100% orgânica. Nada de defensivos, nada de química. “Cacaueiros orgânicos são mais resistentes a doenças. Compare a uma pessoa que tome muitos antibióticos: seu corpo perde imunidade e os antibióticos perdem efeito com o uso contínuo. Com a terra é a mesma coisa”, afirmou Diego para o site americano Cool Hunting. Diego é conhecido por ser extremamente rigoroso com a seleção do cacau e por não deixar passar nada que não esteja absolutamente dentro do seu padrão de qualidade. Então, o que é barrado para virar chocolate AMMA é comprado por outras empresas para virar dezenas de outras barras e bombons, de outras marcas.

Brownie de AMMA  (que também leva nozes e chá roiboos bourbon) da The Gourmet Tea

Tá, mas e o gosto dessas belezinhas? Sensacional. Simples assim. Um fato que adoro na Amma é possibilidade de escolher a quantidade de cacau do seu chocolate sem ser enganado por rótulos mentirosos e, melhor ainda, tendo uma bela experiência sensorial: os sabores vão se tornando cada vez mais intensos à medida que se tira o leite e se coloca a fruta. A linha da marca contam com barras 30% e 45% cacau (os famosos “ao leite”, o tipo mais consumido pelo brasileiro), 50%, 60%, 75%, 85% e o meu favorito de todos os tempos, 100%.

Vou me ater ao 100% porque é algo surreal, apesar de TODOS da linha serem muito, muito bons. Morder um pedaço do 100% cacau é turbinar o cérebro com algo pungente, cítrico, extremo, inédito. Não se parece com nenhum chocolate que provei até hoje: é a melhor fruta em sua magnitude, sem adição de manteiga de cacau e quase zero açúcar. É o cacau puro, de extrema qualidade, derretendo sobre a língua, descendo pela garganta deixando seu rastro fresco, intenso. Adoro, como dá pra perceber.

As barras de 80 gramas custam entre R$ 15e R$ 19– depende do ponto de venda. Encontre o lugar mais perto de você clicando aqui. Vale cada real, serião. Se você achar caro, saiba que as barras ‘belgas’ vendidas aqui por R$ 20, R$ 25 – e exibidas como um produto sensacional – custam 3 euros na Europa e não tem, mesmo, a qualidade AMMA.

Eu fico bem orgulhosa de produtos nacionais como esse. E consumo, mesmo: porque se nós não dermos crédito, fica difícil a indústria nacional prosperar.

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